sexta-feira, abril 07, 2006

sexta-feira. mas na realidade tanto faz. a igualdade dos dias é tamanha que não faz a menor diferença se é sexta ou segunda. dias gêmeos. idênticos. sol amarelo e frio. mesmo sendo uma cor quente. o céu está azul. cor fria e acolhedor. não consegui arrumar os sentimentos. ontem assisti sylvia novamente e tudo o que desejo é que realmente haja vida após a vida; chegando lá vou procurar por elas. quero aprender. não quero mais me desesperar por ter todos estes sentidos e visões e não saber colocar no papel. brilhantes. uma mergulhou a cabeça no gás, a outra enfiou a cara no vazio e despencou. brilhantes. não invejo o final da história. mas sem dúvida nenhuma invejo o meio dela. brilhantes. e eu aqui tão zircônia. bonjour.

quinta-feira, abril 06, 2006

sylvia plath

ana cristina cesar

"...words dry and riderless,
the indefatigable hoof-taps.
while
from the bottom of the pool, fixed stars
govern a life. "

( words - sylvia plath - 1963 ).



"...essas palavras secas e sem rédeas,
bater de cascos incansável.
enquanto
do fundo do poço, estrelas fixas
decidem uma vida."

( palavras - tradução de ana cristina cesar - escritos da inglaterra 1988 ).

final de dia. seis e pouco...adoro este momento. adoro esta hora. minha vó dizia que é a hora do anjo, a hora da ave-maria. ainda é um pouquinho dia já é um pouquinho noite. desde sempre sinto uma sonolência extraordinária a esta hora. depois passa. vai ver é meu anjo da guarda que está mais pertinho de mim, me cantando canções de ninar.
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pão com manteiga molhado no café com leite. lanche.
***
novela das seis. me faz pensar na vida lá por 1880...a esta mesma hora tudo escuro. somente luz de velas. silêncio. vagalumes. grilos. cama gelada e sono cedo.
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coisas da sorte. consegui alugar sylvia. gwyneth paltrow interpreta a poeta. dizem que ela é louca por sylvia plath e que lutou muito pra conseguir o papel. não está a altura. mas vou assistir novamente. só porque é sylvia. tenho estado muito mrs. plath ultimamente.

os cinco sentidos são: visão. audição. olfato. paladar. tato. eu utilizo os meus muito bem. graças a deus.

( up date: faltou um, muito bem lembrado pela claudíssima: o sexto. sentido. afiadíssimo, diga-se de passagem ! ).

" i shut my eyes and all the world drops dead;
i lift my lids and all is born again.
( i think i made you up inside my head.)

( mad girl's love song - sylvia plath ).

( pintura de mark rydel; detalhe de just the girls. )


ouvindo keith jarret. agora eu compreendo o que meu pai queria dizer quando falava: " filha, certas coisas ninguém pode tirar de você. mesmo que você esteja na miséria." ah! a maturidade

" the night is only a sort of carbon paper,
blueblack, with the much-poked periods os stars
letting in the light, peephole after peephole ---
a bonewhite light, like death, behind all things.
under the eyes of the stars and the moon's rictus
he suffers his desest pillow, sleeplessness,
stretching its fine,irritating sand in alldirections..."

( insomniac - sylvia plath ).

( pintura de mark rydel ).

bom dia! abri meus olhos e eram seis e meia da manhã. filha caçula deitada na minha barriga. não acreditei. liguei a tv. globo alguma coisa. liguei o pc e cá estou. vou escovar os dentes. me olhar de novo. tomar café...daqui a pouco eu volto.
***
ontem assisti o jardineiro fiel. nem preciso dizer que amei. aff... como sou atrasada nas coisas. valha-me deus. e eu nem estava no espaço...
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téjá.

quarta-feira, abril 05, 2006

" my hair is bold like the chestnut burr; and my eyes, like the sherry in the glass that the guest leaves."

( emily dickinson )

the creatix

pintura de mark ryden. veja mais aqui

as histórias de amor são sempre assim...então eu estava sempre lá. depois da praia, antes do cinema, depois do teatro, na madrugada...só pra ver ele. as histórias de amor são sempre assim.

eu já nasci com saudades... ouvindo penny lane...

sonho repetido. durante anos. é ele. sei que é ele. mas o corpo é outro. muito estranho. aflitivo mesmo. variações sobre o mesmo tema. durante anos.
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já é quarta-feira.
***
adoro fingir que ainda não amanheceu. está um sol frio lindo lá fora; mas minha janela está fechada e as cortinas também, o ventilador continua ligado porque só durmo com o barulhinho dele. já é dia mas aqui ainda é madrugada.
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agora quando eu ligar a televisão a ana maria braga vai estar lá gritando pra eu acordar e ir pra lá. não dá pra acreditar na disposição desta mulher. mais dígitos na conta corrente fazem a maior diferença.
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afinal, quem é o primeiro marido da julia assunção? será que é ele que conversa no telefone com o andré?
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terça-feira, abril 04, 2006

" a recordação tem frente e fundos,
é tal e qual uma casa;
ela também tem um sotão
para o refugo e o
rato."

( emily dickson ).




colecionadora. fotos. fotos. fotos e mais fotos.

esta maravilhosa impressão de imortalidade. não eram os índios que acreditavam que nossa alma poderia ficar aprisionada nas fotografias? e será que uma parte dela, uma parte ínfima não fica? eu e esta mania de acreditar em mundos paralelos...vidas paralelas. quando eu era menina ( e aqui vai uma confissão bastante íntima, podem me chamar de louca se quizerem, tudo bem), acreditava que havia alguém sempre comigo, me assistindo. como se eu estivesse representando um papel, uma personagem. falava sozinha e tudo. esta sensação me acompanhou até os meus doze, treze anos. depois me deixou. mas tenho ela guardada aqui, na minha memória tão seletiva...então tá, chega de confissões por hoje.